Na manhã do dia 24 de agosto, há exatamente um ano, as equipes de necropapiloscopia de Salvador e Santo Antônio de Jesus eram colocadas em alerta diante da notícia do maior acidente náutico da História da Bahia. Era início da manhã por volta das 6h30 , quando uma lancha com 120 pessoas (116 passageiros e 4 tripulantes) virou em Mar Grande. A Cavalo Marinho I tinha deixado o terminal marítimo que fica no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, e seguia para Salvador. No momento do acidente, a embarcação estava a aproximadamente 200 metros da costa.

“Fomos avisados que tinha acontecido essa tragédia em Mar Grande e que seriam identificados [os corpos] em Santo Antonio de Jesus por ser parte da nossa regional, mas no decorrer do dia ficamos sabendo que uma parte seria identificada em Salvador e a outra parte, na regional. Ficamos na expectativa e dispostos a trabalhar na identificação dos corpos com a maior agilidade possível, dentro das nossas condições de trabalho”, disse o Perito Técnico José Carlos.

Diante da proporção do acidente, as equipes de decisões perceberam que as estruturas dispostas em Vera Cruz não suportariam toda demanda de vítimas, inclusive as fatais. No processo de identificação, quase todos foram identificados através das impressões digitais, exceto as crianças que não possuíam Registro Civil (RG), para a comparação destas com os bancos papiloscópicos estaduais.

“Eu liguei logo cedo para os colegas com o objetivo de dar um amparo psicológico, até porque mesmo sabendo da competência deles a pressão externa é muito grande. Sabíamos que estávamos diante de uma situação de crise” fala Alberto Durão, presidente do SINDPEP. Ainda segundo Durão, os peritos em papiloscopia do estado tem dificuldades criadas pela própria estrutura da SSP. “Somos sistematicamente excluídos do processo, a SSP tem patrocinado uma evento de desastres de massa em que a equipe que mais identifica corpos no estado não está inserida no contexto. Para mim o CIDEM(Congresso Internacional de Desastres de Massa) comete um grande equívoco”. Conclui Alberto Durão.

Foram 19 mortos, entre eles um bebê de seis meses e duas crianças de dois anos.  Na época, Peritos Papiloscopistas foram fundamentais na identificação dos corpos resgatados sem vida nessa tragédia que marcou a história da Bahia.

“Quando cheguei no plantão, fiquei sabendo pela tevê sobre a tragédia. Ficamos apreensivos pela chegada de corpos em Salvador durante todo o dia. Foi montado um gabinete de crise no Instituto Médico Legal e foi de lá que tivemos mais informações” relata o Perito Técnico Delmir Campos. Ainda segundo o perito, a maior dificuldade encontrada foi a falta de informações. “Lembro que consegui na época os dados prévios de uma pericianda na internet. Diante da informação prévia solicitamos a ficha datiloscópica do arquivo e agilizamos a identificação”, conclui o Perito Delmir Campos.

O SINDPEP se solidariza com as famílias da vítimas desta tragédia e tem se colocado sempre à disposição da sociedade através do seu corpo de Peritos Técnicos de Polícia Civil, para tornar todo o processo de identificação de vítimas o mais célere possível, visando a trazer um mínimo de conforto a quem perdeu um familiar ou amigo.

 

Fonte: Site Sindpep

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