Papiloscopista da Polícia Federal participa de estudo sobre detecção de drogas em impressões digitais

PF e UnB desenvolvem pesquisa utilizando nanomateriais para análise química de impressões digitais latentes

O papiloscopista policial federal Marco Antonio de Souza, do Instituto Nacional de Identificação da Polícia Federal, é um dos autores do artigo
Photochemically-made gold nanorods for adsorption and SERS detection of cocaine and benzoylecgonine in latent fingerprints
, publicado na revista RSC Advances. O trabalho descreve a síntese fotocatalítica de nanobastões de ouro e sua aplicação em análises químicas capazes de identificar substâncias mesmo em concentrações muito baixas.

A pesquisa investigou a interação das moléculas de cocaína e benzoylecgonina (principal metabólito da cocaína) com os nanobastões de ouro e como essa interação aumenta o sinal detectado pelo Raman (equipamento usado nas análises), fenômeno característico da técnica conhecida como espalhamento Raman de superfície aprimorada (SERS). Os experimentos utilizaram quantidades das substâncias na ordem de nanogramas, e foram realizados em condições controladas de laboratório, incluindo ensaios diretamente sobre impressões digitais de voluntários.

Nos testes, foi possível confirmar a presença de cocaína e de seu metabólito nas amostras analisadas. O estudo também mostrou que o modo como os nanobastões de ouro são preparados influencia o desempenho da análise.

O trabalho reforça ainda a importância das parcerias institucionais para o avanço da ciência forense. A pesquisa foi conduzida em colaboração entre a Polícia Federal e a Universidade de Brasília (UnB).

Aplicações Futuras

Os autores do estudo concluem que a nanotecnologia pode oferecer métodos muito sensíveis para auxiliar na detecção de drogas de abuso em impressões digitais latentes, oferecendo um caminho para esse tipo de análise. No entanto, para que essa metodologia seja aplicada para fins forenses, ainda são necessários novos estudos.

Esse estudo se soma ao crescente esforço voltado à modernização das técnicas de análise de impressões digitais, área que tem avançado significativamente nos últimos anos. Além da tradicional identificação pela morfologia das cristas, pesquisadores têm investigado as propriedades químicas das impressões digitais, o que permite obter não apenas a identidade de um indivíduo, mas também um perfil químico capaz de revelar informações adicionais relevantes para a investigação policial, como a possível presença de substâncias manipuladas, consumidas ou transferidas pelo contato.

O artigo completo pode ser acessado em:
🔗 https://pubs.rsc.org/en/content/articlelanding/2025/ra/d5ra04284d#sch1